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4 de mar de 2013

Os 50 anos em que a Turma do Mauricio se tornou a Turma da Mônica (Parte 1)

Mônica chegou muda, cara fechada, distribuindo coelhadas e logo se impondo como dona do pedaço. Nos primeiros tempos nem era citada ou mostrada dentre os personagens que Mauricio elencava como seus principais. Mas levou poucos anos para sair da posição de coadjuvante à condição de estrela. Isso, em menos de 7 anos, quando simplesmente passou a estampar seu nome no logotipo do primeiro gibi infantojuvenil não-Disney da Editora Abril, e com uma tiragem de 200 mil exemplares. A seguir, a primeira parte de uma cronologia possível da personagem.

CRONOLOGIA, PARTE 1



11 de fevereiro de 1963
Mônica aparece na primeira página da Folha de S.Paulo.






3 de março de 1963
Estreia de Mônica numa tira de jornal, coadjuvante de Cebolinha. Uma semana depois, ela voltaria a aparecer, ainda sem nome. Em sua terceira participação em tira de Cebolinha, Zé Luiz diz que ela é sua irmã — parentesco que logo seria abandonado.



9 de fevereiro de 1964
Mônica aparece na capa da Folhinha de S.Paulo pela primeira vez. É a edição #13 do suplemento.



23 de agosto de 1964
A Folhinha explica como surgiram os personagens de Mauricio, com destaque para Mônica. É a primeira vez (até prova contrária) que se publica a célebre sequência de esboços de criação da personagem, a partir de foto da filha do cartunista.



24 de janeiro de 1965
Primeira HQ com Mônica é publicada em capítulos, a partir dessa data, na Folhinha de S.Paulo. A personagem faz uma modestíssima participação na trama em que Zé Luiz reúne a turma num clubinho e declara a criação da CISCA (Comissão dos Inconformados com a Sujeira do Cascão). Essa história, um dos clássicos de Mauricio, seria redesenhada, anos depois, e publicada em MÔNICA #13 (Editora Abril, mai/71).



13 de maio de 1966
Folha publica reportagem sobre o encontro de estudantes com Mauricio — chamado de "criador da terrível Mônica". Terrível no sentido de peralta, claro. A personagem vai ganhando mais e mais destaque no suplemento infantil do jornal.

final da década de 1960
A Folha de S.Paulo chega a imprimir alguns gibis de teste com os personagens de Mauricio. A revelação é feita pelo cartunista décadas depois, na crônica publicada no site oficial da Turma, por ocasião da morte do publisher Octavio Frias de Oliveira, da Folha, chamado de "padrinho da Turma" por Mauricio: "Só faltava revista de banca. Até mesmo nesse segmento quase fui atendido pela Folha. Planejaram o lançamento de revistas em quadrinhos com nossos personagens, que seriam rodadas na mesmas impressora do jornal. Chegaram a imprimir alguns exemplares, inclusive. Mas essa experiência não foi adiante... na Folha. Aconteceu logo depois, mas na Editora Abril, que lançou a revista Mônica em 1970". 


12 de maio de 1970
É lançado o gibi MÔNICA, pela Editora Abril, com tiragem de 200 mil exemplares. Antes disso, os personagens de Mauricio só haviam estrelado HQs nas poucas (e hoje raríssimas) edições dos títulos BIDU e ZAZ TRAZ, da Editora Continental, no final dos anos 1950 e início dos 1960, e na Folhinha. O anúncio acima, em offset de alta gramatura e formato 12,5 x 16,5 cm, saiu encartado em O PATO DONALD #966 e TIO PATINHAS #58, pelo menos.


1971
Mauricio de Sousa recebe o troféu Yellow Kid em Lucca, Itália.

A Fermata lança o LP A Bandinha da Turma da Mônica. A música de abertura, Sou a Mônica, vira tema musical do programa de TV Pullman Júnior.




outubro de 1972
Mônica e a turma estrelam o primeiro gibi promocional da MSP que se tem notícia. PRAZER, SOU A ÁGUA! foi distribuído gratuitamente (apenas) no Estado de São Paulo, numa iniciativa da Secretaria Estadual dos Serviços e Obras Públicas. Antes disso, é sabido que Chico Bento circulou em jornaizinhos promo mensais da Cooperativa de Cotia.



26 de janeiro de 1973
Mônica comenta, num evidente ataque de ciuminho, o lançamento do gibi mensal do CEBOLINHA (o anúncio acima saiu, pelo menos, em ZÉ CARIOCA #1107).



1973
A Editora Abril produz um gibi da Mônica em inglês para divulgação no mercado editorial europeu. MÔNICA — THE MOST SUCCESSFUL BRAZIL-MADE COMIC MAGAZINE reproduz a capa da edição regular #39 (jul/73) e traz, em miolo offset, uma seleção de HQs em 32 páginas. O expediente informa: "This issue of MÔNICA in english is a non-commercial edition published for internacional promotion. International Manager: Alvaro de Moya". Tão ou mais rara do que os exemplares de BIDU e ZAZ TRAZ, a edição mereceu post detalhado do Planeta Gibi em 2010, com comentário (no texto) do próprio Mauricio.


janeiro de 1974
MÔNICA E CEBOLINHA ESPECIAL compila, pela primeira vez, as tiras de jornais da Turma. A Editora Abril lançaria outros 10 volumes similares até jan/78.




dezembro de 1976
É lançado o ALMANAQUE DA MÔNICA, com a primeira coletânea de HQs da turma já publicada e, de quebra, uma entrevista com Mauricio de Sousa. Curiosidade para colecionadores: o código da revista era "MNE" (de "Mônica Especial"); somente mais tarde o título passou a ser identificado pelo "AMN". O ALMANAQUE DA MÔNICA foi o 3º especial de quadrinhos não-Disney lançado pela Abril e seguiu exatamente o padrão que a editora já havia estabelecido para esse tipo de revista, iniciado em maio e novembro daquele mesmo ano, respectivamente, com PERNALONGA ESPECIAL e LULU E BOLINHA VIAJANDO PELO MUNDO.


dezembro de 1976
Os personagens de Mauricio já haviam animado aqui e ali propagandas de televisão. Mas aquele final de 1976 entrou para a história da MSP com a primeira animação "de verdade" da Turma: O Natal da Turma da Mônica, produção patrocinada pela Cica, foi exibida incessantemente pela Globo.



dezembro de 1977
A Turma ainda é "do Mauricio", mas o destaque dado à Mônica na capa do especial (hoje raríssimo) A TURMA DO MAURICIO EM POSTER E QUADRINHOS é sintomático: quatro anos depois, em jan/82, a Abril lançaria o A TURMA DA MÔNICA — POSTER E QUADRINHOS. E a personagem não seria mais apenas a "dona da rua", mas também de toda a turma. (Imagem original cedida pelo colecionador William Aoqui.)



agosto de 1978
Edição comemorativa MÔNICA #100. À parte a capa histórica, uma edição normal.


final de 1978
MÔNICA E CEBOLINHA NO MUNDO DE ROMEU E JULIETA chega ao teatro (num musical), nas bancas (numa adaptação em quadrinhos) e nas rádios (com o sucesso Uma Explosão de Amor, da trilha sonora do espetáculo — que será reencenado em breve em São Paulo; vide cartaz acima).



1979
Sentiu falta de alguém nesse painel de figurinhas com "Mauricio e seus personagens principais"? Sim, Magali era tão coadjuvante como Xaveco ainda é hoje. Essa é a última página de A Turma da Mônica, da Abril — trata-se do primeiro álbum de figurinhas da Turma.



outubro de 1979
Pela primeira vez um personagem de Mauricio estrela um manual. O MANUAL DA MÔNICA vem com um pôster e uma camiseta. Tudo coincide com o Dia das Crianças e, mais ainda, com o Ano Internacional da Criança, proclamado pela ONU.

final dos anos 1970
A Lojinha da Mônica é inaugurada em São Paulo no nº 1638 da Rua Augusta, a poucos metros da Avenida Paulista. E ali funcionaria por alguns anos. Depois, ganharia versões nos aeroportos. E, desde janeiro, produtos variados com os personagens podem ser adquiridos on line na Lojinha da Mônica.

fevereiro de 1980
Na edição #118, a revista MÔNICA adota o formatinho inaugurado pela Abril no mês anterior com O PATO DONALD #1470, perdendo 2 centímetros no comprimento.


abril de 1980
A Abril comemora os 10 anos da revista MÔNICA com uma edição #120 especial: pela primeira vez o gibi teve lombada quadrada e mais páginas, 132 (até então, eram 68 páginas no total). Dessas, metade foi dedicada à republicação das HQs originais de MÔNICA #1. E é curioso registrar que nunca a edição inaugural do gibi teve um fac-símile de fato: ou se suprimiram as propagandas originais, ou se repintaram as HQs, ou saiu em formato diferente do original... Em 2002, a Editora Globo lançou uma reprodução do #1 em bancas e livrarias (mas em formato diferente do original); em 2007, foi a vez da Panini reeditar a obra, mas sem as propagandas originais, em formato menor e cores repintadas (dentro da COLEÇÃO HISTÓRICA).

1982
Estreia nos cinemas o primeiro longa animado de Mauricio, As Aventuras da Turma da Mônica. Um ano depois, viria A Princesa e o Robô.


setembro de 1982
MÔNICA passa de 68 a 84 páginas a partir daqui, na edição #149 (Editora Abril), e ganha uma lombada quadrada — padrão usado até hoje.


1984
Jubileu Mauricio de Sousa. MÔNICA #171 (Editora Abril, jul/84) comemora o evento e traz  uma entrevista com o criador da turma.




fevereiro de 1986
SUPERALMANAQUE DO MAURICIO prova que o selo "Turma da Mônica" ainda não imperava 100%. Pouco mais de um ano depois, a Editora Globo publicaria um gibi com o mesmo título. Em seguida, viria o ALMANACÃO DE FÉRIAS (cuja edição #1 não existe, por se tratar, justamente, da edição única do SUPERALMANAQUE DO MAURÍCIO). Anos depois, a Globo lançaria o ALMANACÃO TURMA DA MÔNICA (revezando-se nas bancas com o de férias, como é até hoje, pela Panini).




7 de agosto de 1986
O Estado de São Paulo publica tira da Turma pela primeira vez. É o primeiro passo para o fim da parceria com a Folha, onde os personagens principais de Mauricio nasceram e cresceram.



dezembro 1986
Fim da linha na Abril. MÔNICA #200 chega às bancas lacrada com uma míni-agenda (bem difícil de ser encontrada hoje).


Continua.


Por E. Rodrigues & Rivaldo Ribeiro

11 comentários:

Val Fonseca disse...

Matéria buito legal.
Minha melhor lembrança, foi o primeiro gibi da Mônica que comprei economizando o dinheiro do lanche da escola, junto vinha uma miniatura dos personagens, no meu foi o Cascão. Acredito que ainda esteja com meu irmão.
Mas a Turma da Mônica marcou minha vida em muitos momentos e de muita gente Brasil afora, todos tem uma história a contar da turminha.
PARABÉNS Mônica!

Marcelo disse...

Me lembro que estava na quinta ou sexta série quando saiu o primeiro numero da Monica, pela Abril e comprei. Capa amarela..ainda tenho. Qual a tiragem aproximada atual? Abraços a todos.

PLANETA GIBI disse...

Segundo o IVC, a circulação média de Mônica em 2010 foi de 146 mil exemplares; em 2011, de 128 mil. Não tenho números de 2012, mas chuto uns 80 mil.

E. Rodrigues

Jefferson Leite disse...

Só complementando a informação do PG, achei tb essa informação: "A Turma da Mônica tem tiragem de 2,2 milhões mensais de gibis no Brasil e domina 80% do mercado de revistas em quadrinhos no país! As revistas da Turma tem potencial de faturamento de R$ 10,5 milhões por mês e compreendem a 30% do faturamento da Mauricio de Sousa Produções". Infelizmente, como o PG tem apontado, a tiragem vem caindo a cada ano (e bastante); a grande "sorte" da MSP é a TMJ, com tiragem aproximada de 400 mil!

Marcos disse...

Excelente matéria... no aguardo das continuações. Serão quantas partes?

PLANETA GIBI disse...

Corrigindo: 80 mil + vendas em bancas =~140 mil (como a distribuição é nacional, a tiragem deve ser o dobro disso).

E. Rodrigues

rodineisilveira disse...

Pra falar a verdade, o primeiro especial animado de Natal da turma da Mônica, O Natal da Turma da Mônica (1976), foi exibido pela Globo no final de 76.

PLANETA GIBI disse...

Tem toda razão! Já consertamos no texto.
Abs.
E. Rodrigues

BLOG DO XANDRO® disse...

Legal demais a matéria...o Mauricio de Sousa esta parecendo o Ratinho na capa da MÔNICA #171...kkkk!! :D

Sergio disse...

Não sei se alguém pode me ajudar. Já que se falou em especial para tv...

Lembro de uma vinheta (não sei se chama assim) antiga, acho que da época de "óia a onça" e "natal de todos nós", em que a Mônica dá boa noite aos pais, com um pequeno trecho cantado em espanhol, algo do tipo:"un besito para papa / un besito para mama / e despues a descansar / porque manana...".

Enfim, eu gostaria muito de achar um vídeo ou áudio ou informação desse trechinho em algum lugar. Alguém conhece?

mala direta disse...

quando eu fui criança nos anos 1980 eu gostava de ler, mais hoje em dia reparando nessa turma eu sei que a graça era estórias de crianças que brincavam e imaginavam, porque os personagens mesmo são antipáticos e esquisitos, tipo a mônica batendo nos meninos, usando uma força que não é normal para uma menina, o cebolinha sempre egocêntrico, pensando coisas bobas como planos inúteis e no mais o cascão e a magali são também egocêntricos