

Por Marcelo Alencar. Embora pertença à galeria de tipos criados por Carl Barks (1901-2000), Patacôncio nunca mereceu grande atenção do quadrinista. John D. Rockerduck – nome original do personagem, cuja sonoridade remete ao magnata John Davison Rockefeller (1839-1937) – marca presença em apenas uma história produzida pelo Homem dos Patos, publicada pela primeira vez em Walt Disney’s Comics and Stories 255, de 1961: uma narrativa de 10 páginas estrelada pelo Pato Donald. Patacôncio, de início batizado de Rockfóli no Brasil, aparece em exatos 16 quadros da trama, em que mede forças com o Tio Patinhas para determinar quem fabrica a melhor gasolina.
O pato de cabelos desgrenhados, óculos arredondados, chapéu-coco, sapatos bicolores, paletó e gravata só não foi condenado ao esquecimento porque, exatamente dois anos após sua estreia nos Estados Unidos, os autores italianos passaram a usá-lo regularmente em Topolino (o gibi do Mickey no país da bota). Coube ao roteirista Abramo Barosso e ao desenhista Giorgio Bordini resgatálo do limbo. Em pouco tempo, artistas brasileiros também incorporaram o ricaço ao repertório Disney. A crescente popularidade do personagem na Europa e na América do Sul o transformou no principal adversário do pato mais rico do mundo – no universo barksiano, quem goza desse privilégio é o Pão-Duro Mac Mônei. Ignorado pelos norte-americanos, Patacôncio só voltou a figurar num enredo traduzido para o inglês em outubro de 1994, quando foi retratado como um menino esnobe e mimado, nascido em berço de ouro – um legítimo “filhinho de mamãe” –, em A Saga do Tio Patinhas, do renomado Keno Don Rosa.
Tratado como perdulário e esbanjador pelo dono da moedinha Número Um, Patacôncio faz questão de ostentar sua imensa fortuna: diferentemente do rival, ele não poupa despesas em suas empreitadas. E tem um importante aliado nesse embate quaquilionário – o secretário, mordomo, motorista e conselheiro Roque (idealizado por Guido Martina e Massimo De Vita em 1977). No duelo de magnatas, também se sobressai o mordomo do Patinhas, o simpático e fiel Batista (criado por Rodolfo Cimino e Massimo De Vita em 1967). A dupla de serviçais, envolvida na rixa dos patrões, vez ou outra abre mão das animosidades em nome de objetivos comuns, como podemos testemunhar na segunda história desta edição.
Os inimigos endinheirados travam confrontos épicos por qualquer razão, desde licitações públicas no setor da construção civil até a busca por uma posição privilegiada no mercado de brinquedos. E ninguém posa de mocinho nesse contexto: Patinhas volta e meia utiliza expedientes escusos para superar seu oponente. Este volume traz mais de um exemplo que explicita tal situação.
Também é importante destacar que os autores italianos atribuíram ao Patacôncio um hábito que, na mitologia estabelecida por Barks, era outorgado ao Mac Mônei: a irrefreável compulsão por devorar chapéus a cada derrota para o Patinhas. De preferência, com sal.

A Essência do Problema
Roteiro: Riccardo Secchi
Desenhos: Paolo De Lorenzi
Produzida em fevereiro de 2002
O balanço anual das Indústrias Patinhas aponta alguns fiascos – com destaque para a fábrica de perfumes. Fragrâncias como Eau des Pataques e Essência de Ações da Bolsa (as favoritas do sovina) não emplacam junto ao público, que prefere os aromas lançados pelo Patacôncio. Patinhas então se vale da espionagem para descobrir que o rival conta com a sensibilidade olfativa de um misterioso consultor. E decide jogar pesado para reverter as tendências do mercado. Duelo inédito no Brasil.

O Desafio Esportivo
Roteiro: Sergio Badino
Desenhos: Lara Molinari
Produzida em dezembro de 2004
A condessa De Tapis Roulant, empresária do ramo das academias esportivas e entusiasta da boa forma, considera a possibilidade de aceitar um dos dois zilionários como sócio. Tio Patinhas e Patacôncio literalmente suam a camisa para convencer a madame a tomar um dos dois como sócio. Entre corridas a pé e de bicicleta, saltos com vara e provas de esgrima, até mesmo os mordomos Batista e Roque entram no desafio esportivo. Embate inédito no Brasil.

A Licitação Pública
Roteiro: Massimiliano Valentini
Desenhos: Andréa Freccero
Produzida em setembro de 2000
A prefeitura de Patópolis abre concorrência para a construção de um edifício luxuoso, e os dois empreiteiros mais poderosos da cidade apresentam orçamentos equivalentes para a obra. Com o objetivo de desempatar a disputa, eles têm de cortar custos a fim de reduzir suas propostas. Briga inédita no Brasil.

A Batalha das Bonecas
Roteiro: Bruno Concina
Desenhos: Ottavio Panaro
Produzida em janeiro de 2001
Margarida e Brigite inauguram uma loja de bonecas artesanais que andam, piscam e falam. O sucesso da iniciativa desperta o faro do Tio Patinhas para negócios lucrativos. Graças à inventividade do Professor Pardal, o velho muquirana passa a fabricar bonecas cada mais sofisticadas que logo se tornam o sonho de consumo de todas as meninas patopolenses. Tudo vai bem até que Patacôncio entra na história com um brinquedo ainda mais interativo, dando início a uma guerra que, até hoje, era inédita no Brasil.

Editora Abril, coleção em 20 volumes semanais, 100 páginas cor, formato 14,7 x 20,7 cm, R$ 10,00
Editor: Paulo Maffia
Introduções das HQs: Júlio de Andrade, Filho / Rivaldo Ribeiro / Marcelo Alencar
Desde
que surgiram, nos anos 1930, os quadrinhos Disney foram sendo
construídos com personagens e situações marcantes que imprimiram
lembranças indeléveis em nossa memória. Formou-se em torno de cada um
deles – Mickey, Donald, Patinhas e tantos outros – uma mitologia tão
rica e complexa que ela passou a ser automaticamente reconhecida aos
olhos do mundo. Com o passar do tempo, tornou-se desnecessário explicar a
quem quer que fosse que Mickey namora a Minnie, que seu melhor amigo é o
Pateta e que ele tem embates colossais com dois vilões que amamos
odiar: Mancha Negra e João Bafo-de-Onça. Igualmente dispensável
tornou-se apresentar Donald – sujeito irritado, azarado, que não
consegue manter um emprego – ou o Tio Patinhas, sempre acossado pelos
terríveis Irmãos Metralha, pelo milionário rival Patacôncio e,
principalmente, pela Maga Patalójika, determinada a roubar a primeira
moeda do velho muquirana para fazer com ela um amuleto e transformar-se
assim na bruxa mais poderosa do mundo.
Nesta nova grande coleção da Editora Abril, reunimos os assuntos
prediletos que orbitam o universo Disney. Assim, ao se deparar com
títulos como Tio Patinhas versus Maga Patalójika, Os Problemas Domésticos do Pateta e Os Infinitos Azares do Pato Donald,
você sabe exatamente o que esperar: histórias que mostram a natureza
dos personagens, os hábitos, o comportamento recorrente, as brigas, as
rixas, os desafios, os laços de família e amizade. A cada volume, um
novo tema. Em cada tema, uma formidável compilação de histórias em
quadrinhos, clássicas e inéditas, que, acreditamos, serão tão preciosas
para você quanto a Número Um é para o Tio Patinhas ou o 313 para o Pato
Donald. Mais que preciosas, essenciais.
A COLEÇÃO:
#1 — 9/mar: Tio Patinhas
Versus
Maga Patalójika
#2 — 9/mar: Donald
e seus Sobrinhos
#3 — 16/mar: Os Problemas Domésticos do
Pateta
#4 — 23/mar: Tio Patinhas
e a
Moeda Número Um
#5
— 30/mar: Mickey e Minnie
#6 — 6/abr: Donald e seus Primos
#7 — 13/abr: Mickey
Versus
Mancha Negra
#8 — 20/abr: As Grandes Aventuras do
Superpateta
#9 — 27/abr: Tio Patinhas Versus
Irmãos Metralha
#10 — 4/mai: Mickey Versus
João Bafo-de-Onça
#11 — 11/mai: Donald e Margarida
#12 — 18/mai: Os Passatempos Malucos do
Pateta
#13 — 25/mai: As Grandes Viagens do
Tio Patinhas
#14 — 1/jun: Mickey e Pluto
#15 — 8/jun: Os Infinitos Azares do
Pato Donald
#16 — 15/jun: Pateta
e seus Antepassados
#17 — 22/jun: Tio Patinhas
Versus
Patacôncio
#18 — 29/jun: Donald
e
seu Carro 313
#19 — 6/jul: O Detetive
Mickey
#20 — 13/jul: Donald
e seus Empregos que Não Duram


Capa original: SPECIALE DISNEY #51, Itália, out/09, por Andrea Freccero
Imagem: Inducks / Outducks


8 comentários:
Simplesmente demais!;)
Que pena que já tá acabando.
Não é o espaço, mas queria saber duas coisinhas.
É verdade que Kit Carson, amigo de Tex, já saiu numa HQ Disney? Onde?
É verdade que foram impressa duas versões de Tex #300 da Globo?
Porque e quais as diferenças?
Oi, Vinicius.
É verdade sim. E Tex também.
No segundo quadrinho da página 97 "...A Lei do Velho Oeste", Tex e Kit aparecem no fundo andando a cavalo.
Agora, de quem foi a ideia da homenagem? Talvez só fazendo uma pesquisa mais a fundo, já que, Giorgio Pezzin foi o roteirista e Massimo de Vita o desenhista.
http://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL+2210-1
Sobre Tex#300 só existe uma versão.
A lenda foi criada porque a edição especial de 356 páginas e capa cartonada foi às bancas lacrada, com um marcador de livro personalizado de Tex de brinde, (hoje bem raro).
E também , há relatos de leitores que compraram, na época, a edição sem lacre/sem brinde.
Se houve violação ou distribuição da edição sem o brinde, oficialmente, ninguém sabe.
É isso!
Abs
Rivaldo
Taí. Esse volume tem tudo pra ser bom.
Mesma ilustração que a Disney Big 2, não é isso?
Até que em em fim chegou o número 1 ( junto com o nº2) ontem, aqui em Teresina Piauí... só quero ver se vai ter regularidade pras bandas de cá...
Emfim por aqui também(BA),Jackson!:D
Apenas parecida, Lisa, na composição dos personagens...
http://www.guiadosquadrinhos.com/edicao.aspx?cod_tit=di003106&esp=&cod_edc=79841
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