

Em janeiro de 1987, Urtigão estreou no título de um gibi com este almanaque, anunciado em Zé Carioca #1798 (12/mar). Pouco adiante, o caipira ganharia seu título quinzenal. E, talvez por isso, só estrelaria outro almanaque mais de três anos depois. Curiosidade extra: dentre as páginas deste Almanaque do Urtigão #1, o anúncio de As Melhores Piadas #18 de Penadinho (vide post anterior!)

O mesmo Zé Carioca #1798 (12/mar/87) divulgou este Tio Patinhas Especial #4, compilando a saga brasileira A História de Patópolis, publicada alguns anos antes nos gibis de linha, agora precedida por capítulos inéditos. Nunca mais essas HQs foram repetidas no Brasil. Já na Itália... (vide alguns posts atrás!)

Fofão foi o primeiro dos muitos (então) astros da televisão a ganhar títulos na Abril nos anos 1980. Foi assim anunciado em Pato Donald #1786 (mai/87), e durou dois anos —e um almanaque, no meio do caminho.
Nesse meio tempo, vieram Gugu (20 edições entre set/88 a mar/90; depois, mais quatro almanaques), Sergio Mallandro (20 edições e um almanaque, entre out/88 e out/90), Faustão (8 números, entre mar e out/91)... e Os Trapalhões, que veremos mais adiante. Num último suspiro desses programas brasileiros de televisão adaptados para os quadrinhos, a TV Colosso, já nos anos 1990, teve 16 números entre nov/94 e fev/96


Quem já viu o kit completo da edição comemorativa dos 50 anos do 1º Clássico Disney, Branca de Neve e os Sete Anões? Simples, mas muito caprichado. Além do teaser ao lado do expediente de Zé Carioca #1804, a divulgação do relançamento do filme nos cinemas ocupou três páginas de Pato Donald #1788 (5/jun/87)

Misto Quente ou Salada Russa? Quadrinhos, textos, álbum de figurinhas encartado... Alegria, Disney, Murphy (aquele gorila da Estrela, que fez o maior sucesso, ganhou várias versões e até uma namorada)... A revista, cuja edição de lançamento foi anunciada em Pato Donald #1788 (5/jun/87), já mereceu um post aqui no Planeta Gibi, numa série sobre revistas híbridas (agora que nos relembramos dela... vamos retomá-la dia desses: o assunto não acabou!)

Urtigão, na propaganda do lançamento de sua revista, publicada em Pato Donald #1788 (5/jun/87), está se referindo ao almanaque que havia ganho no começo daquele ano. Seu gibi sairia quinzenalmente até jan/94, por 169 edições. Com a debandada dos títulos de Mauricio, a Abril apostou em nomes para substituí-los. Urtigão claramente veio para ocupar a vaga deixada por Chico Bento, enquanto que...

...A Turma da Fofura, O Gordo e Patrícia vieram para ajudar a restabelecer a lista de revistas em quadrinhos infantis da editora. Os personagens são criações de Ely Barbosa, o irmão do novelista Benedito Ruy Barbosa que já havia posto nas bancas, antes, Cacá e Sua Turma (pela Abril e pela RGE) e três especiais com Os Tutti-Fruttis e Os Incríveis Amendoins (todos pela RGE, no início da década de 1980). Depois de pouco mais que dois anos nas bancas, os três títulos foram fundidos em Turma da Fofura [2ª Série], com mais páginas e periodicidade mensal. Mas só durou quatro números. O anúncio acima saiu em Pato Donald #1789 (19/jun/87). Abaixo, uma página de PD #1791 (17/jul/87)


Ao lado do expediente de Zé Carioca #1800, de 26/abr/7, já havia sido colocado um teaser. Apenas o texto: "Em maio, o casamento mais inacreditável acontece em Patópolis! Aguarde!"
Bem, teve-se mesmo que aguardar, pois o casório não saiu em maio, mês das noivas, como se esperava. E quando o anúncio acima foi publicado em 16/jul/87, na edição #1807 do gibi do papagaio, até quem não lia Disney já sabia do que se tratava. Pois a Série Ouro Disney —e particularmente este O Casamento do Pato Donald— teve extensa cobertura da imprensa.
Quando a HQ foi publicada nos Estados Unidos, no início do ano passado, fizemos um post sobre ela (com direito a comentário do roteirista e diretor de redação Júlio de Andrade —não deixe de ler!). E, antes disso, dissemos no texto sobre a polêmica ilustração de Don Rosa: "Os estúdios da Editora Abril somente obtiveram aprovação da Disney para sua produção e publicação quando aceitou as regras do jogo: a HQ não só teria que deixar bem claro que tudo se tratava de um sonho, como teria que incluir recursos gráficos para que o leitor não se esquecesse disso durante a história: as bordas das páginas eram coloridas e o estilo de desenho mudava drasticamente entre os capítulos!"

Você viu a foto do gibi acima, ainda com a moeda ensacada e colada na capa (intocada desde seu lançamento!), no post A Número 1!, de fevereiro do ano passado? O anúncio foi publicado em Pato Donald #1801 (dez/87), e toda vez que olhamos para ele pensamos se não dava mesmo para colocar o Tio Patinhas mais para baixo naquela moldura, evitando que sua cabeça fosse cortada...

Os modelos dos Trapalhões-crianças foram criados por Cesar Sandoval (A Turma do Arrepio) e suas HQs foram produzidas pelo pessoal dos Estúdios da Abril por muitas e muitas edições e títulos. Se não, vejamos. Os Trapalhões teve 77 edições entre jan/88 e fev/93 (o número 74 não existe!) e seu almanaque, cinco números. As Aventuras dos Trapalhões circulou entre set/89 e mar/94, por 51 números, mais seis almanaques. E ainda tivemos o Grande Almanaque dos Trapalhões 25 anos (que trouxe um fac-simile de Os Trapalhões #1), As Aventuras dos Trapalhões Especial, a impagável Grafic Trapa Didi Volta pro Futuro, a revista mix Os Trapalhões em Uma Escola Atrapalhada, além de duas edições de As Aventuras dos Trapalhões RPG. E bem que esse material merecia ser reeditado ao menos parcialmente em algumas compilações

Olha aí... a primeiríssima seção de cartas de um gibi do Zé (edição #1820, de janeiro de 1988). A novidade havia sido anunciada quatro edições antes, ao lado do expediente

É isso mesmo: DuckTales Os Caçadores de Aventuras foi anunciado em março de 1988 em Pato Donald #1809 como uma "Série especial em quadrinhos — 7 edições mensais". O sucesso levou o gibi até o 25º número, em nov/91



Quem tem mania de guardar tudo o que vem com o gibi talvez se lembre (ou até mesmo ainda tenha): Anos de Ouro do Pato Donald vinha shrinkado, e com um adesivo na diagonal inferior direita do plástico, informando quais edições o volume continha. Repare que se repete a incorreta informação de que as revistas vinham "no formato daquela época". Hmm... Pegue seu exemplar do fac-simile de O Pato Donald #1 distribuído ano passado e compare... (Anúncios em Pato Donald #1810, 1813 e 1816, de abr/88, mai e jul/88, respectivamente)

Uma das duas páginas da promoção Você Faz a Capa, publicada em Pato Donald #1813 (mai/88). Voltemos a isso oportunamente...

Foi uma decepção chegar em agosto de 1988 nas bancas e ver o que tinham feito com Luluzinha e Bolinha. Além da mudança nos clássicos letreiros (usados desde sempre no Brasil, desde a editora O Cruzeiro), a tragédia das capas em papel jornal, da diminuição de páginas, das infindáveis republicações... Voltemos a isso em breve. A página acima é de Pato Donald #1822 (set/88)

Bons tempos em que víamos o Mickey de calça curta somente em ocasiões especiais! Anúncio publicado em Pato Donald #1822, de set/88

Cine Disney tinha proposta interessante. Começou com Pateta satirizando o agente 007, em setembro de 1988, e terminou repentinamente aqui, no mês seguinte, com a sátira acima —que a Disney privou-nos de ver republicada (talvez) pela primeira vez com seu layout original, no final do ano passado, quando vetou algumas edições de Clássicos da Literatura Disney especialmente editadas por Paulo Maffia. Calhau em Pato Donald #1823


Os anúncios acima são históricos: mostram exatamente os primeiros lançamentos em VHS da Disney no Brasil. A Abril Vídeo, do mesmo grupo que a editora, teve que assegurar à Disney que em nenhuma hipótese a produção das fitas Disney se misturaria às da linha Playboy, também sob sua licença. Seria literalmente uma sacanagem a criança por um Dumbo no seu videocassete Panasonic G-21 e constatar que o conteúdo havia sido trocado inadvertidamente pelo (opa!) das coelhinhas...
Naquela época, pouquíssimos títulos eram vendidos diretamente ao consumidor, e em lojas selecionadas (em São Paulo, por exemplo, na Brenno Rossi e na Bruno Blois, ambas na 24 de Maio, perto da Mesbla). Esses lançamentos Disney (Tron original incluído, veja só) foram disponibilizados apenas para locação (anúncios em Zé Carioca #1844, dez/88)

Uma Cilada para Roger Rabbit pode ser comparado a Jurassic Park: ambos usaram conceitos e efeitos especiais já existentes e vistos em outros filmes. Porém, nunca até então de forma tão perfeita e arrebatadora. Na adaptação para os quadrinhos (anúncio em Pato Donald #1832, jan/89), Patolino (da Warner) foi substituído por um polvo (genérico)



12 comentários:
1) Essa época das seções de cartas dos quadrinho da Abril era péssima!
2) No formulário do "Você faz a capa", o espaço para o número (do endereço) é do mesmo tamanho que o para o nome da rua. O do telefone é igual ao da idade. Obviamente, quem criava (e cria ainda, basta acessar vários formulários na Internet) tal tipo de formulário nunca os preenchia...
3) Sobre os sessenta anos do Mickey, na época o Estadão publicou, na capa do Caderno 2, uma bela matéria de Ruy Castro contando a "verdadeira" história do Mickey, com causos que punham em xeque a conduta, até ética, da Disney. Um excelente artigo. Esse eu tenho guardado até hoje.
4) Meu filho tem dois anos, e adora vários DVD, incluindo vários da Disney. Mas o curioso é que, em pleno 2011, ele tem, assiste e adora dois dos VHSs listados aqui, "O Natal do Mickey Mouse" e "Alô, Amigos" (anunciado acima sem a vírgula obrigatória para separar o vocativo). E não fui eu ue guardei, não. Eles foram "herdados" dos primos dele, que hoje tê, 18 e 13 anos.
["Os estúdios da Editora Abril somente obtiveram aprovação da Disney para sua produção e publicação quando aceitou as regras do jogo: a HQ não só teria que deixar bem claro que tudo se tratava de um sonho, como teria que incluir recursos gráficos para que o leitor não se esquecesse disso durante a história: as bordas das páginas eram coloridas e o estilo de desenho mudava drasticamente entre os capítulos!"]
Eu não sabia que os nossos estúdios sofriam este tipo de interferência drástica por parte da matriz. Tudo bem que eles são os donos dos personagens, mas daí a obrigar os nossos talentos a conceber uma idéia do jeito deles vai uma grande diferença.
[a Disney privou-nos de ver republicada (talvez) pela primeira vez com seu layout original, no final do ano passado, quando vetou algumas edições de Clássicos da Literatura Disney especialmente editadas por Paulo Maffia.]
Já soube desta história. Eles obrigaram a Abril a publicar os próximos 10 CLDs acompanhando as edições Italianas. E o Tio Sam levou... Buááá! Aliás, a xenofobia americana é tanta que nem mesmo este clássico italiano inspirado em uma obra literária americana e em um filme hollywoodiano foi publicado lá até hoje. E olha que a história se passa durante a Guerra de Secessão. Chega a ser nauseante esta atitude xenófoba exagerada...
[Urtigão, na propaganda do lançamento de sua revista, publicada em Pato Donald #1788 (5/jun/87), está se referindo ao almanaque que havia ganho no começo daquele ano. Seu gibi sairia quinzenalmente até jan/94, por 169 edições. Com a debandada dos títulos de Mauricio, a Abril apostou em nomes para substituí-los. Urtigão claramente veio para ocupar a vaga deixada por Chico Bento]
Esqueci de comentar sobre o lançamento do gibi quizenal do Urtigão. Este personagem de pavio muito curto já era popular por causa das histórias de "A Patada" onde ele aparecia com frequência, mas ao ganhar um título próprio com ótimas histórias nacionais e que durou por muitos anos ele ganhou o direito de figurar entre os grandes personagens Disney, ao lado de Donald, Peninha e Patinhas. Sem falar na inesquecível figura chamada Firmina. Uma das melhores criações dos Estúdios Disney da Abril!
Ah...adorava as revistinhas de Os Trapalhões na época!;)
Lembro vagamente do gibi dos Trapalhões. Eles faziam muitas sátiras 'trash' de enlatados americanos. Lembro da Nêga Maravilha, que era o alter-ego do Mussum. Bons tempos onde os quadrinistas de histórias infantis sabiam que histórias para criança não tem que ser 'certinhas' ao extremo.
Ué? Não entendi. Achei um link onde consta que "E O Vento Levou" na versão 'pato' foi publicado em "I Classici della Letteratura Disney". Foi no volume 18, chamado "Paperino e il vento del Sud" http://www.cartonionline.com/libri/fumetti/i_classici_della_letteratura_disney.htm
Mas não saiu na versão espanhola! (O que uma coisa tem a ver com outra, também não entendemos até agora!)
Abraço.
E.Rodrigues
Ah, sim. Fomos obrigados a acompanhar a versão espanhola e não a italiana. Mas acontece que a colonização já acabou faz tempo. Pelo menos no livro do Aquino... Abraço com catinga.
Muita coisa legal nessa época. O gibi do Urtigão sempre agradou. Bons tempos de produção nacional... Abs. Paulo
Dá pra reparar que os brindes eram comuns nessa época, o manualzinho do Velho Urtiga (ara!) foi até a edição #3.
Mas a moedinha foi o melhor de todos!
Consegui comprar o gibi Nº 1 do urtigão, mas o seu almanaque não...
Tô gostando muito desta série de anúncios antigos!! Parabéns pela dedicação e ótimas fontes de pesquisa!!
D@anil.B, ficamos felizes que tenha gostado. As fontes de pesquisa são as próprias revistas, nossas coleções e, claro, muitas memórias. Abraço.
Postar um comentário