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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

60 Anos Bem Contados: 1971-1980 (Parte 1 de 3)

Por E. Rodrigues & José Rivaldo Ribeiro

Continuando nossa série... começamos falando de O Pato Donald #1000 e de suas possibilidades numéricas. Depois, não há como não citar os Manuais Disney, as estreias de Disney Especial e da (hoje conhecida como) Edição Extra. As propagandas em Zé Carioca e Pato Donald, além de trazerem curiosidades hoje esquecidas, começam a refletir o volume crescente de títulos de quadrinhos da Abril, como Cebolinha, Diversões Juvenis, Crás, O Pica-Pau, A Pantera Cor-de-Rosa... para facilitar o carregamento da página, esta década cheia de imagens foi dividida em três partes. Aqui, vamos até abril de 1974.


O próprio Donald anunciou a edição #1000 de sua revista (em PD #998, 25/dez/70). Mas se fôssemos descontar os números ímpares entre o #479 e o 999, todos com nome de Zé Carioca na capa, aquela milésima edição teria sido, de fato, o #739! A "verdadeira" edição #1000 seria aquela que veio com o #1522 impresso na capa, dez anos depois, em 2/jan/81

E, se insistíssemos nessa "recontagem", veríamos que a modestíssima edição comemorativa #2000, de jan/93, teria sido "na verdade" a edição #1364. E que a "genuína" edição #2000 será, um dia, a que trouxer o #2636 na capa. Ou seja, permanecendo o Pato Donald com periodicidade mensal, isso só ocorrerá daqui a 20 anos e meio, em julho de 2031!

Ah, sim: a edição que acaba de chegar às bancas é a "verdadeira" #1754!


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Presente de grego: a criança manda um cupom para a Editora Abril "assumindo um compromisso" para que seu pai pague por uma assinatura de Veja que ele nem sabia que queria! Tudo para ganhar, junto, outra assinatura (de O Pato Donald, Zé Carioca, Mickey ou Mônica). Parece que ninguém seria preso ou processado por isso, há quase quarenta anos. Impensável, hoje (e repare como o mundo está cada vez mais chato!). O encarte, em papel offset impresso em frente e verso, veio em Zé Carioca #1029 (30/jul/71) e no Pato da semana seguinte



O Manual do Escoteiro Mirim, replicado do original italiano, foi um sucesso retumbante e nos anos seguintes levou ao lançamento de mais duas edições, um número dois e um Supermanual —com capa em tecido jeans e cadeado. Na esteira, vieram diversos outros manuais Disney, inclusive alguns 100% brasileiros. Fizeram história e foram copiados: a Idéia Editorial lançou o Manual dos Super-Heróis; a RGE, o do Mandrake. E a própria Abril publicou, entre outros, o Manual do Zé Colmeia e o Manual da Mônica (que vinha com uma camiseta Sulfabril de brinde, branca e com a inscrição "A Ordem é Brincar"). Voltemos a isso oportunamente. (Ah, sim: o anúncio acima saiu em O Pato Donald #1026, de 9/jul/71.)



Anúncio em Zé Carioca #1033, de 27/ago/71



Quadrinhos ou historinhas ilustradas? A dúvida que persegue os colecionadores de HQs Disney persiste! Anúncio do lançamento de Disneylândia em O Pato Donald #1038 (1/out/71). Antes disso, houve teasers, como o publicado no Pato #1032



O Pato Donald #1078, de 7/jul/72, divulgou assim o lançamento de Disney Especial



O especial que muitos anos depois convencionou-se chamar de Edição Extra #1 (ou, formalmente, #52) foi anunciado em O Pato Donald #1084 (18/ago/72)



Da época em que TV em cores era coisa de rico (O Pato Donald #1098, 24/nov/72). Para se ter uma ideia, a primeira novela em cores ainda nem tinha estreado!


Aqui, uma lacuna: não há registro nas páginas de Pato ou , mas em dezembro de 1972 a Abril lançava Os Flintstones e "Outros Bichos", de Hanna-Barbera. Até então a editora paulista só publicava, nesse gênero, Disney e MônicaCebolinha só estrearia no mês seguinte. Como veremos a partir daqui, começou-se a apostar forte em quadrinhos das mais diversas produtoras 



Estreia Cebolinha. E Zé Carioca #1107 anuncia, em 26/jan/73



A distribuição de brindes em gibis, sobretudo pôsteres, era expediente comum. Anúncio em O Pato Donald #1122 (11/mai/73)



O Morcego dá as caras pela segunda vez nos quadrinhos, agora em sua própria revista —um especial depois considerado Edição Extra etc. Quarta capa de O Pato Donald #1124, de 25/mai/73



Mickey anuncia o Disney on Parade (PD #1126, 8/jun/73). No mês seguinte, a Abril lançaria uma espécie de Disney Especial extra, chamado de Festival Disney. Quis o destino que este especial um dia fosse considerado um mero número de Edição Extra (conforme já abordamos em post próprio)



Aqui começa a enxurrada de novos títulos: Diversões Juvenis vinha para testar os bons vendedores —que, consequentemente, ganhavam títulos independentes (conforme já abordamos num dos primeiros posts deste site). Pois O Gordo e o Magro foi um dos bensucedidos: teve 32 edições, até 1981. Acima, página de PD #1138, 31/ago/73



A Pantera Cor-de-Rosa se deu melhor ainda: circulou até 1988, com exatamente cem edições, entre o título regular e especiais —sem contar os quatro números especiais do spinoff O Inspetor. E esses personagens ainda tiveram um breve revival entre 1992 e 1993 (brrrr!...), mas por apenas seis edições e um almanaque. Nunca mais a Pantera ganharia título no Brasil. Ou seja, a Abril foi a única editora que a publicou. Mais do que isso, seus estúdios chegaram a produzir HQs com os personagens para suprir a demanda. Outros tempos, definitivamente. O anúncio acima saiu em Zé Carioca #1141, de 21/set/73



Três livros ilustrados. E talvez os primeiros Disney pela Abril com créditos explícitos de roteiro (Ivan Saidenberg) e desenhos (Carlos Edgard Herrero, Carlos Gomes de Freitas, Izomar C. Guilherme e Jorge Kato). Em O Pato Donald #1144 (12/out/73)



O Pato Donald #1154, de 21/dez/73, anunciou o lançamento do primeiro especial capa dura Disney (descontando aqueles encadernados de Clássicos, de que já falamos em 1961-1970): Cinqüentenário Disney, em formato magazine, abriu a série de quatro volumes assim especiais



O Pica-Pau mal foi testado em Diversões Juvenis: bastou um número para que a Abril já o lançasse como título independente. Durou muito: depois de 93 edições e 17 almanaques, publicados até 1988, fez uma pausa de três anos e voltou para mais 101 números da série O Melhor do Pica-Pau e mais cinco almanaques (o calhau acima saiu em Zé Carioca #1153, de 14/dez/73). Depois de breve passagem pela efêmera Editora Atlantis (onde teve sete edições com HQs contemporâneas e inéditas), o passarinho maluco voltou para a Abril, onde ganhou mais de uma dezena de edições em formato magazine de Pica-Pau Quadrinhos e Passatempos (isso, até 2003). Em 2008, a pequena Deomar Editora passou a editar um gibi com quadrinhos decalcados dos fotogramas do desenho animado. No mês passado, o título já chegava à sua 40ª edição, além de algumas edições extras



Tcham-tcham-tcham-tcham! Teaser da memorável Crás! em O Pato Donald #1158, 18/jan/74. Duas edições depois, em 15/fev, saía o anúncio definitivo do número de estreia da revista —uma das incontáveis "Edição Especial de Diversões Juvenis"; aqui, formato magazine e variados talentos brasileiros. A revista acabou cancelada porque "só" estava vendendo —dizem— uns 100 mil exemplares!





Gag exclusiva do Zé para promover seu Manual. Em O Pato Donald #1166 (15/mar/74)



A Warner Bros. estreou na Abril com esta Diversões Juvenis #8 Frajola e Piupiu, em abril de 1974 (anúncio em O Pato Donald #1170, 12/abr). O medalhão Pernalonga só estrearia na editora no ano seguinte, em outubro —porém, já com título independente. Ainda teríamos Patolino, Gaguinho e até Bip Bip. Esta primeira incursão de Looney Tunes na Abril durou até junho de 1980, por 117 edições. Depois, a turma se mudaria para a RGE. A volta à Abril ocorreu no final de 1990, com o modesto O Melhor de Pernalonga (15 edições), todo de republicações, e o volumoso Pernalonga Superespecial. Também houve duas edições de Loucademia de Polícia. Já no final dos anos 1990, houve uma reestreia, mas diferenciada: formato americano e histórias inéditas distribuídas entre alguns títulos. Terminou junto com 1999. Depois de brevíssima passagem pela Tipo, a Warner (proprietária da DC Comics, bom lembrar) foi parar na Panini



Satanésio acabou se destacando em Crás (anúncio em O Pato Donald #1170, 12/abr/74) e ganhou um breve título (apenas quatro números) no ano seguinte. Ao final de Satanésio (e Anjoca), seu criador, Ruy Perotti, deu início ao gibi do Gabola. Que veremos mais adiante...

17 comentários:

BLOG DO XANDRO® disse...

Tá legal demais essa série,parabéns...muito show ver essas propagandas/raridades!:D

PLANETA GIBI disse...

O que virou hit aqui foi o tal Patograma! A criança mandava o cupom ("não precisa selar nem pagar nada, Tio Patinhas paga tudo"!), o pai recebia a revista e, só depois, a conta! O que deve ter tido de reclamação...

Alexandre Giesbrecht disse...

Realmente de parabéns por esta série. Eu já conhecia boa parte dos anúncios, especialmente os dos anos 1960 para a frentem, mas fazia MUITO tempo que não os via.

Vinicius disse...

Ai que saudades. Tempos maravilhosos!

Parabéns a dupla pela insistencia em querer manter viva a memória dos quadrinhos Disney no Brasil.
Mas confesso que a contagem da numeração de Pato Donald ficou meio confusa, meu filho me ligou aqui no trabalho só para perguntar.

Ele disse: Pai se a edição 1000 seria a 1522, como a 2000 poderia ser a 1364?

Eu expliquei o que eu entendi.

Se fossem contadas normalmente (sem Zé Carioca), uma a uma, a milésima revista (o real nº1000) do Pato Donald seria na verdade o nº1522.

E se contássemos, uma a uma, as revistas do Pato Donald (ignorando a numeração, só contando) quando chegássemos na edição nº 2000 de jan/93, teriamos contado 1364 gibis.

Aí meu filho entendeu!

O QUE COMPLICOU FOI:
"E, se insistíssemos nessa "recontagem", veríamos que a modestíssima edição comemorativa #2000, de jan/93, teria sido "na verdade" a edição #1364"

Veja, seu texto está correto, mas de fato, ao ler, leitor imagina:
Se o nº 1000 seria o nº1522, como o nº 2000 (que é bem mais alto) poderia ser o nº1364?

Abraços

Vinicius

a curiosa disse...

Simples:

nº 1000 da ed. Abril ==> nº 739 real
nº 1522 da ed. Abril ==> nº 1000 real
nº 2000 da ed. Abril ==> nº 1364 real
nº 2636 da ed. Abril ==> nº 2000 real

Foi assim q eu entendi...

PLANETA GIBI disse...

Hmm. Vejamos:
"Se o nº 1000 seria o nº1522, como o nº 2000 (que é bem mais alto) poderia ser o nº1364?"

Porque o citado 1000 é a edição de fato, e não o número de capa, e o 2000 é o número de capa, e não a edição expurgada de Zé Carioca!

Piorou, né?

Ou ainda:
capa = 1000; de fato = 739
capa = 1522; de fato = 1000
capa = 2000; de fato = 1364
capa = 2636; de fato = 2000
.
Abraços.
E.Rodrigues

PLANETA GIBI disse...

(puxa, a curiosa já estava dando conta do recado enquanto eu estava aqui digitando!)

Vinicius disse...

Agora ficou bem melhor...

Então tá. eu comprei o meu pato hoje na banca o verdadeiro 1754 com o 2390 estampado na capa.

É f... mas o outro 1754 (o verdadeiro?) de set/85 justamente eu não tenho.

O jeito é ver se a entrevista com o Dominó saiu na 1754 deste mês!

kkkkkkkkkkkkkk

Olhem, eu vou contar um segredo bem baixinho.

Adoro o gibi do Pato e coleciono Zé Carioca 479 a 1749 só para fechar as lacunas impares.
Acho terrível essa coisa de contarem um numero que não existe.

Mas fazer o que!

Quero que minha coleção tenha 2000 gibis no número 2000 de jan/91.

Eu não me conformo.

PLANETA GIBI disse...

Vinicius, de fato a editora não considerava que ZC fosse outro título. O problema é que quando ela finalmente os distinguiu (vide o texto da década de 1960), naquele momento as numerações já deveriam também ter sido separadas.

Mas o expediente de se usar numeração emprestada é comum não só em coleções nacionais (como Edição Extra, Diversões Juvenis e seus filhotes etc.)

PLANETA GIBI disse...

Vinicius

Assim como você, uma época eu também intercalava o ZC em PD para ficar uma numeração certinha.
Acabei desistindo da ideia em pouco tempo.
Mas não se preocupe, você não está só!
Eu pelo menos conheço mais duas pessoas que colecionam ZC antigos, só para 'por ordem' à coleção do PD.
Grande Abraço

Rivaldo

Alexandre Giesbrecht disse...

Meu pai sempre manteve ZC e PD juntos, embora a ele interessasse apenas o Pato na gigantesca maioria das edições. Inclusive, ao encadernar ele manteve a numeração, não a separação das revistas. Quando eu comecei a perceber que revistas tinham numeração, bem pequeno, eu peguei uns PDs e ZCs do início dos anos 1970 que meu pai tinha repetidos. Já eram meio antigos naquela época, pois estou falando da primeira metade dos anos 1980. Eu achei que era uma grande coincidência que os PDs tivessem os números 1002 e 1004, enquanto os ZCs tinham os números 1003 e 1005 (não sei se eram exatamente esses números, mas lembro que eram próximos do 1000. Quando fui mostrar ao meu pai a "grande" descoberta da "coincidência", ele me explicou como funcionava.

Britto disse...

Excelente série! Planeta Gibi mais uma vez de parabéns!

Mas que confusão essa numeração do PD, hein! E se fossemos contar o ZC real, em que número estaria? =P

PLANETA GIBI disse...

Aí é fácil: no checklist mensal sempre colocamos o número de fato da edição! Pode ver lá (não só Disney, como também Mauricio)

Paulo Gibi disse...

Pôxa pessoal do Planeta Gibi, quase chorei ao ver e ler esse maravilhoso post. Até o Kactus Kid, vcs me fizeram lembrar. Dá vontade de emoldurar e pendurar na parede do quarto. Meus sinceros parabéns e obrigado por essa gostosa recordação. Quanto às questões técnicas de numeração, acho que é uma tafefa hercúlea entender essas sequencias, mas vcs foram muito competentes e esclarecedores. Abs.

rodineisilveira disse...

Amigos,

A campanha de lançamento da revista Os Flintstones e Outros "Bichos" foi veiculada em outras revistas da Abril no finzinho de 72 (menos Pato Donald e Zé Carioca): foi veiculada nas revistas Mickey, Tio Patinhas, Almanaque Disney, Mônica, e até mesmo na revista Realidade!
Esta mesma campanha trazia uma montagem quadriculada, envolvendo os personagens clássicos (com "C" maiúsculo) da Hanna-Barbera (Flintstones, Jetsons, Zé Colméia, Dom Pixote, Pepe Legal, Manda Chuva, Wally Gator e tantos outros). E, no meio desta motagem quadriculada, encontramos um detalhe inusitado: Zé Colméia e o Guarda Chico/Guarda Smith (Seu "Gualda" para os íntimos) cara a cara!

rodineisilveira disse...

Que tal incluir aí no blog do Planeta Gibi, aquela campanha de lançamento da revista Flintstones e Outros Bichos pela Abril no final de 72, que traz aquela montagem quadriculada envolvendo os Flintstones, os Jetsons e toda aquela plêiade de personagens clássicos da Hanna-Barbera (entre eles, Zé Colméia, Dom Pixote, Pepe Legal, Manda-Chuva, Leão da Montanha, Wally Gator e tantos outros)?

PLANETA GIBI disse...

O anúncio não saiu em Pato ou Zé. Por isso é que colocamos apenas uma menção a isso neste post.
E. Rodrigues